jornal arquitectos
Design: Pedro Falcão
© Daniel Malhão
Férias
05.07.2007
Turistas, viajantes, roaming, inter-rail, vista para o mar, low-cost, resort, continental breakfast, design hotel, sexo, pousada da juventude, Lonely Planet, Rough Guide, estrelas Michelin, eco-turismo, postais, American Express, internet point, três estrelas, mapas. Estas são palavras (lançadas aleatoriamente) que podem exprimir cumplicidades com o tema deste JA: «Férias».
As férias são hoje a expressão massificada da mobilidade máxima (permitida pelas condições democratizadas) para quem se desloca com tempo livre.
O ócio como um direito laboral, a intensificação das redes de transporte e a viagem como um bem de consumo, tornaram as férias um tema central da vida contemporânea, quer como possibilidade de ampliação do conhecimento, quer como universo para os arquitectos.

A genealogia do turismo massificado (fenómeno iniciado na década de 50) permite-nos hoje saber que os lugares que atraíram, primeiro, um pequeno número de pessoas e, depois, multidões, podem deixar de possuir as características que originalmente justificaram a sua vocação turística.
O turismo «descobre» e potencia um lugar, mas é também responsável, na maior parte das vezes, pela aniquilação da sua própria razão existencial. E é exactamente aqui que a arquitectura, na sua relação como território, comos programas, coma cultura, pode inverter positivamente um processo irreversível de multiplicação de erros.

O turismo possui uma relevância económica em termos globais (e em particular no Portugal contemporâneo), o que obriga a arquitectura a procurar novas relações como mercado de trabalho que este representa. Este último facilmente descarta a arquitectura a favor de estereótipos culturais, fenómenos de gosto sazonais ou mero kitsch estival, embora nos primórdios desta actividade económica, na década de 60, o arquitecto Conceição Silva tenha dado respostas que hoje são referência na abordagem a programas similares.

Se falamos de «Férias», falamos então de respostas qualificadas ao tema, e por isso escolhemos cinco equipas portuguesas que estão a trabalhar sobre programas que envolvem o tempo livre e a sua relação coma paisagem. Estes projectos são acompanhados por fotografias de praias nocturnas (mas ainda carregadas demarcas diurnas) e de textos críticos que configuram uma genealogia que vai da pressão sobre a linha de costa portuguesa, passa pela relação entre viajante e paisagem e vai até às alterações na percepção que temos do território devido à poluição gerada pelos aviões a jacto.

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