jornal arquitectos
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Programa
08.11.2006
Habitualmente fornecido como um conjunto de dados quantitativos, entre o organigrama e a listagem, o programa constitui-se como etapa onde se supõe tacitamente estarem excluídas «qualidades», enumerando apenas «quantidades». Este facto coincide com uma prática comum onde a separação entre o acto de elaboração dos programas e o acto de pensar e construir arquitectura é inequívoca.
É exactamente por estes tópicos que os textos que publicamos se movem criticamente. João Rodeia e Jorge Carvalho conduzem-nos pela questão da ética face à necessidade de refundar a relação entre homem e paisagem, entre cultura e natureza, condição necessária à própria sobrevivência da espécie humana.
Propomos para o JA 222 um panorama sobre a relevância do programa no processo implícito ao projecto de arquitectura. Interrogamo-nos sobre se os arquitectos não deverão contribuir activamente na elaboração dos programas ou posicionarem-se em relação a estes de forma crítica, superando a leitura do mesmo como se de uma grelha de constrangimentos se tratasse. O programa pode ser entendido como motor de ampliação da arquitectura, antecipando a vocação e pertinência da construção de lugares no território, e contribuindo com respostas arquitectónicas mais adequadas ao tempo longo da arquitectura.

Este tema possui uma longa história de indagação, desde o modernismo, onde o programa adquiriu contornos de aspiração científica, constituindo-se como base de toda uma cultura em torno da programação, conforme João Rocha explícita no seu texto (fazendo ainda a ponte desse universo para o das práticas artísticas).

No final da década de 60, a partir de Berkeley, a investigação de Christopher Alexander procurou superar o pensamento modernista sustentado pela causa-efeito, desenvolvendo fórmulas matemáticas, na senda da formalização do inconsciente, passíveis de traduzir e recuperar a relação harmoniosa das culturas nativas com o meio onde viviam. Michel Toussaint propõe-nos uma releitura crítica de «Notes on The Synthesis of Form».

Paola Cannavò e Paulo Martins Barata conduzem-nos pelos temas emergentes em torno do programa em arquitectura face às forças do mercado imobiliário e da tecnocracia na paisagem contemporânea. A flexibilidade tipo-morfológica e a sustentabilidade são as ferramentas prioritárias propostas para pensar o programa entendido mais como estratégia e menos como formalização de dados quantitativos.

Manuel Graça Dias defende, alternativamente, a aspiração à permanência da forma como suporte de memória capaz de acolher vários usos ao longo do tempo.
A relação programa com o corpo é a base temática do Vírus, neste número a cargo dos editores convidados Inês Moreira e Pedro Jordão.

Publicamos neste número seis projectos onde o trabalho sobre o programa é central, conduzindo a soluções novas sob o ponto de vista do uso: a nova Idea Store de Londres onde se cruzam vários usos em torno do consumo e das práticas culturais, de David Adjaye; um edifício de habitação em Viena com áreas comuns partilhadas, da dupla BKK-3; uma piscina emersa no Rio Spree em Berlim, que reinventa a relação de fruição com o mesmo, de Artengo & Menis & Pastrana; uma escola de música em Lisboa – que se assume como novo lugar público face à paisagem desregulada da periferia – de Carrilho da Graça; um silo automóvel com habitação na cobertura, em Lisboa, da dupla CVDB e um estádio com hotel e zona comercial em Zurique, da dupla Meili & Peter.

O programa foi tomado nestes projectos como parte integrante do processo de especulação conceptual e conduziu a soluções de cruzamento funcional e cultural capazes de reflectir a plural condição contemporânea.

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