jornal arquitectos
Design: Pedro Falcão
© José Adrião
Híbrido
10.10.2006
Este é o primeiro número de uma série de dez sob a nova direcção do Jornal Arquitectos. Tal como este “Híbrido: Quando não se reconhece a matriz”, os restantes nove serão construídos à volta de um tema central à reflexão e prática arquitectónica no presente a partir das cinco secções agora inauguradas.
Propomos para o JA 222 um panorama sobre a relevância do programa no processo implícito ao projecto de arquitectura. Interrogamo-nos sobre se os arquitectos não deverão contribuir activamente na elaboração dos programas ou posicionarem-se em relação a estes de forma crítica, superando a leitura do mesmo como se de uma grelha de constrangimentos se tratasse. O programa pode ser entendido como motor de ampliação da arquitectura, antecipando a vocação e pertinência da construção de lugares no território, e contribuindo com respostas arquitectónicas mais adequadas ao tempo longo da arquitectura.
O novo formato da revista está dividido em Crítica, Persona, Dossier Fotográfico, Projectos e Vírus. Esta última consiste num caderno realizado por um editor convidado, que supomos poder ser escolhido, nos próximos números, a partir de equipas auto-propostas. Para este primeiro Vírus convidámos José Capela, que introduziu um excelente e heterodoxo corpo estranho ao material por nós editado, ampliando o espectro temático dos conteúdos.

A hibridação é hoje indissociável de qualquer prática cultural que tenha a capacidade de fixar e traduzir a condição contemporânea. Superada a cultura de matriz colonial, onde o híbrido estava associado a obras menores, “eclécticas” ou “exóticas”, torna-se claro para o pensamento contemporâneo que todas as práticas culturais, arquitectura incluída, assentam, consciente ou inconscientemente, em processos ou construções mentais que envolvem a hibridação.

T.S. Eliot nas suas “Notas para uma definição de cultura” pressupunha que o acto de fricção entre culturas era inevitável à condição moderna. Eliot referia-se à atracção e à repulsa, como forças opostas que se equilibram, mas que impedem a unificação numa única cultura de génese global. Esta passagem pressupõe que o sentido de pureza que poderíamos associar à cultura ocidental está afinal estruturado a partir de cruzamentos culturais de géneses várias.

Superada a modernidade, a cultura global ganhou total centralidade, o que significa também mais receio da mestiçagem para alguns, e mais deslumbramento sobre a possibilidade apressada de cruzamentos formais para outros. O território mais estimulante será por ventura aquele que converte esse processo em obras de grande intensidade e que nos obriga a olhar para coisas que não conhecíamos juntas, ou que não poderíamos supor estarem juntas. Hoje estas questões chamaram a atenção de autores como Homi K. Bhabha, que se dedica à reflexão militante sobre os processos de hibridação, a partir do ponto de vista da cultura pós-colonial. Da sua obra retira-se que a cultura, ou melhor, as culturas, devem ser entendidas como intersecções complexas de base múltipla de várias temporalidades e posicionamentos subjectivos.

A partir destes temas convidámos um conjunto de autores que através da reflexão escrita, projectos e obras de arquitectura construíram e ampliaram com uma riqueza de espectro largo a vista panorâmica sobre várias hipóteses de hibridação: conceptual, tipológica e formal. A conversa com Juan Herreros, na secção Persona, acaba por convocar também estas possibilidades de hibridação, que na sua prática profissional com Inãki Ábalos, resulta de uma tomada de posição consciente e num processo de trabalho capaz de convocar redistribuir equitativamente as contradições da “beleza contemporânea”.

Por último, não queríamos iniciar este novo período sem felicitar a direcção anterior, na pessoa de Manuel Graça Dias e Ana Vaz Milheiro, cujo projecto foi para nós uma referência ao longo dos seus cinco anos de publicação.

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