jornal arquitectos
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Morada
22.11.2006
A pertinência de um número do JA sobre o espaço doméstico, a «morada», ou seja, sobre a prática arquitectónica em torno do tema habitação, prende-se com a necessidade de indagação sobre o significado da casa contemporânea. Entendemos a «morada» como um conceito de espectro largo para definir «habitação», tema central à arquitectura e indissociável da história da civilização e da construção da cidade.
Paradoxalmente a habitação, apesar de ter sido eleita como uma das principais ferramentas do programa ideológico do Movimento Moderno, em grande parte como reacção ao carácter tradicional e estático que o enquadramento cultural oitocentista lhe conferiu, parece ter sido arredada no contexto português do seu lugar central no interior da disciplina. Mesmo as experiências participativas do período pós-moderno parecem distantes face a uma realidade exclusivamente monitorizada pelas forças do mercado.

Álvaro Siza, na secção «Persona», defende o diálogo e participação como motor da arquitectura doméstica, mas alerta também para o desconforto que alguns promotores possam sentir no confronto entre a produção do mercado corrente e a construção de exemplos de qualidade.

Ricardo Carvalho e João Belo Rodeia conduzem-nos por um percurso panorâmico em torno da história da habitação até ao Movimento Moderno. O primeiro, procurando identificar as sucessivas identidades que a arquitectura doméstica conheceu, no que diz respeito à espacialidade, modo construtivo e imaginário colectivo de casa; o segundo, reflectindo sobre o trabalho de Le Corbusier em torno da casa entendida como tradução do espírito do tempo.

Álvaro Domingues questiona o problema da habitação nos territórios urbanos, exauridos de um centro mas estilhaçados por «casas à beira da estrada» e «condomínios».
Victor Diniz, ao invés, fala-nos do jardim de Serralves como morada singular. Diogo Ferrer conduz-nos pelos conceitos ontológicos de projecto e morada no sentido da sua clarificação e origem etimológica.
O inquérito a «moradores» é a base temática do Vírus, neste número a cargo do editor Carlos Bártolo.

Publicamos ainda várias abordagens ao tema da habitação colectiva e individual.
O projecto Urbane Living I & II de Abcarius & Burns questiona o domínio público e privado da casa urbana, enquanto Alejandro Aravena trabalha sobre a habitação evolutiva num cenário de escassez de recursos.

Nuno e José Mateus (ARX), com o conjunto Metropolis em Lisboa, mostram uma possibilidade de atribuição de significado e direcção às forças do mercado imobiliário.
A casa unifamiliar é ilustrada por um projecto de Ricardo Bak Gordon para o Algarve, que toma o programa doméstico como marco territorial.
A morada como residência temporária é ilustrada pelo projecto de Carlos Martins e Elisário Miranda para o Polo II da Universidade de Coimbra.

Num período onde ainda se faz sentir o descrédito em que caíram os organigramas funcionais que determinam a esmagadora maioria da habitação construída, indaga-se sobre os seus fundamentos culturais e especificamente disciplinares, e pretende-se sobretudo confrontar a casa, individual ou colectiva, entendida enquanto fenómeno cultural, com uma realidade verificável na contemporaneidade, e em particular em território nacional, que é pobre de significado e frágil em termos de capacidade de resposta.

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