jornal arquitectos
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© Daniel Malhão
Escassez
10.11.2006
A escassez como condição é o tema do JA 223. Afecta, nas suas várias vertentes, o mundo de hoje e adivinha-se que a inacção face ao problema no contexto português se poderá prolongar no tempo e tornar-se estrutural.
Mas a arquitectura não poderá adiar, por muito mais tempo, colocar o tema no centro da sua acção. A escassez comporta uma vasta riqueza temática, que implica os recursos, o espaço, o tempo, ou mesmo a produção e a construção de arquitectura.
É exactamente por estes tópicos que os textos que publicamos se movem criticamente. João Rodeia e Jorge Carvalho conduzem-nos pela questão da ética face à necessidade de refundar a relação entre homem e paisagem, entre cultura e natureza, condição necessária à própria sobrevivência da espécie humana.

Cameron Sinclair (fundador da Architecture for Humanity) e Maria Moita descrevem as respectivas experiências no que diz respeito à produção de arquitectura em condições limite, onde a necessidade de equipamentos e de habitação obriga a trabalhar com recursos materiais e humanos mínimos, em cenários de catástrofe e de guerra.

Cláudia Taborda, Jorge Figueira e Bruno Baldaia e Miguel Veríssimo (editores do Vírus) elegem casos de estudo para estabelecerem ligações entre o tema, a paisagem e a cidade. Óscar Faria clarifica o cepticismo empenhado da “arte povera” face à hegemonia da tecnologia e do capitalismo e que conduziu a um modo de escassez na procura e “favorecimento de trocas entre polaridades energéticas contrastantes”.

Jean Philippe Vassal defende uma estratégia de escassez material de modo a privilegiar o espaço como valor arquitectónico e social, e sobretudo a arquitectura como acção política.

Os projectos publicados constituem-se como respostas sobre um modo de fazer acontecer arquitectura a partir do ponto de vista de formas múltiplas de escassez. São programas que implicam a dimensão do culto religioso, do espaço doméstico e do trabalho. Pedro Reis projectou uma igreja para uma comunidade timorense implicando os recursos humanos e materiais disponíveis.

Rui Mendes e Simon Conder tratam o problema da habitação unifamiliar com extrema contenção de recursos formais e materiais. O colectivo Plano b e Solano Benitez & Alberto Marinoni produziram espaços de trabalho, apoios agrícolas e uma fábrica, respectivamente, a partir da sustentabilidade como suporte da acção da arquitectura sobre o território.

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