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Memórias do tempo e do património construído
11.07.2019
Fotografias de António Menéres
Galeria da Sede Nacional da Ordem dos Arquitectos
18 de Julho a 13 de Agosto
Dias úteis, das 10h às 18h
Inauguração: 18 de Julho 19h


As 84 fotos em exposição, do período em que o arquitecto António Menéres participou no Inquérito à Arquitectura Popular em Portugal, tiradas em diferentes lugares e datas, estão organizadas por temas: 'As velhas memórias', 'Ambientes', 'Habitação', 'A arquitectura do trabalho', 'O sol, a terra e a água', 'A arquitectura no sentido religioso', 'O 'saber' do detalhe' e 'Gentes'.


O FIO DA MEADA
Ganhei uma máquina fotográfica aos 7 anos.
Era e é uma Zeiss Ikon, utiliza película do formato 6x9 e com ela comecei a fixar imagens de coisas que, de momento, estavam bem próximas de mim.
Assim se passaram alguns anos e a criança de então foi acumulando fotos e imagens do seu "universo" próximo, fixando a família, dita da casa, e os seus passeios pela beira-mar leceira, quando não rio Leça acima, quando não fixando as actividades marítimas do porto de Leixões.
Umas ganharam importância, outras não e... outras desapareceram.
Justamente em 1956 integrei um dos seis grupos que realizou o Inquérito sobre a Arquitectura Regional Portuguesa, na época em que terminava o curso na velha Escola Superior de Belas Artes do Porto. Percorremos todo o litoral a partir do norte de Coimbra até Melgaço.
Por certo essa experiência marcou, e muito, o entendimento da arquitectura e das arquitecturas dos arquitectos anónimos: lições de verdade, de programa e de criatividade.
À distância de mais de 50 anos o acervo fotográfico pessoal, constituído por películas de negativo a preto e branco, por películas de negativos a cor, por slides e, mais recentemente, por imagens fixadas em CD's assim reunido, ganhou a importância que naturalmente lhe é conferida, dada a transformação progressiva das formas de vida, pressionadas por factores tão diversos como a emigração, a agricultura mais mecanizada e, duma forma notória o esfrangalhamento do velho território de cariz rural de então, vilipendiado sem o mínimo pejo, que transformou um conjunto de mais de 10.000 imagens, consequentes dum e, quantas vezes, não programado caminhar errante, num registo que, só por egoísmo, fique um dia fechado numa arca, como herança dum "avozinho" que em vida era arquitecto e era muito curioso, ao que diziam.
Outras gerações se estão a suceder, arquitectos ou não, mas que não tiveram o conhecimento próximo das vivências daquelas formas naturais e diversificadas do viver rude e simples das populações do litoral e do interior.
As memórias do lugar ficam cada vez mais ténues, tanto como a própria transmissão oral, dado que a "cultura" do património está ligada à sensibilidade que cada um traz consigo próprio, por vivência diária com os seus maiores. Portanto, quando as responsabilidades cívicas diminuem, a responsabilidade cultural acompanha essa mesma atitude.
Como o futuro nos estimula para outros desafios, é oportuno não esquecer o fio invisível que nos liga umbilicalmente aos velhos saberes.
O gosto do caminhar e de reter imagens das relações de sobrevivência do Homem, face à multiplicidade dos desafios impostos pela Mãe Terra, foi-se traduzindo por alguns milhares de negativos, do meu arquivo pessoal, a par de breves notas e desenhos de ocasião e, fundamentalmente, pela alegria dum partilhar efectivo com a herança cultural das nossas gentes.
António Menéres


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