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XII Prémio Secil Arquitectura. Comunicado do Júri
14.01.2020
Dada a extensão do período abrangido pela presente edição do Prémio (de 2012 a 2016), o número de trabalhos a concurso (cerca de 80) e a qualidade geral desses trabalhos, o Júri decidiu distinguir duas obras ex aequo:

O Centro de Artes Contemporâneas Arquipélago, na Ribeira Grande, de Francisco Vieira de Campos, Cristina Guedes (Menos é Mais) e João Mendes Ribeiro e a Sede da EDP, em Lisboa, de Manuel Aires Mateus e Francisco Aires Mateus.


O trabalho de Arquitectura responde sempre a circunstâncias determinadas que são geográficas, topográficas, urbanas, históricas, técnicas, económicas, políticas, programáticas e culturais, entre muitas outras.

A Sede da EDP e o Arquipélago respondem a circunstâncias totalmente diferentes mas que contêm uma grande parte das possibilidades que se oferecem hoje aos arquitectos para a construção e a organização das cidades e dos territórios, na medida em que:

A EDP situa-se no centro de Lisboa que sofre actualmente de fenómenos de especulação imobiliária e de gentrificação de uma violência inédita. O Arquipélago situa-se na Ribeira Grande, nos Açores, o mais longe possível deste centro.

O Arquipélago nasce de um edifício existente. A EDP é uma obra feita de raiz.

A EDP é uma obra de grande dimensão. O Arquipélago é uma obra de dimensão média.

O Arquipélago é uma obra pública. A EDP é uma obra privada.

A EDP é um edifício de escritórios, sede corporativa de uma das maiores empresas instaladas em Portugal. O Arquipélago é um centro de arte contemporânea aberto permanentemente à população.

A arquitectura de cada uma destas obras responde notavelmente às suas próprias circunstâncias:

Ambas prestando grande atenção ao contexto e salvando ou refazendo o que nele de melhor encontraram: a ruína de uma antiga fábrica de álcool, no caso do Arquipélago e a memória dos boqueirões e a relação transversal entre a cidade e o rio, no caso da EDP.

Ambas fazendo com que programas intrincados e sistemas estruturais sofisticados ou processos de construção e reabilitação complexos pareçam simples.

Ambas levando longe as possibilidades construtivas, estruturais e formais do betão: o betão branco pré-fabricado, no caso da EDP e o betão negro de lava executado in situ, no caso do Arquipélago.

Ambas traduzindo as respectivas áreas construídas em implantações e volumes com escalas acertadas, não deixando de assumir, em ambos os casos, uma presença nítida.

Ambas oferecendo espaços de vida colectiva surpreendentes, em continuidade com os tecidos em que se inserem, sem deixarem de os transformar positiva e profundamente.

Ambas afirmando, a cada passo, que toda a Arquitectura deve ser pública.

Lisboa, 08 de Janeiro de 2020
José Neves, João Carlos Santos, Ricardo Carvalho, João Belo Rodeia e Manuel Correia Fernandes


Conheça aqui os resultados do XV Prémio Secil Universidades Arquitectura


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