outros prémios nacionais
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Prémio Paulo Gouveia 2020. “Reabilitação: Louvre Michaelense", Ponta Delgada. Arquitecto Paulo Vieitas
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Prémio Paulo Gouveia 2020, Menção Honrosa. “Quinta dos Peixes Falantes”, Ribeira Grande. Arquitectos Fernando Monteiro, Marco Resendes e Miguel Sousa
Prémio de Arquitetura Paulo Gouveia 2020 atribuído à obra Louvre Michaelense
19.03.2021
A Secção Regional dos Açores da Ordem dos Arquitectos congratula a Secretaria Regional da Cultura da Ciência e Transição Digital por, através da Direção Regional dos Cultura, promover a edição do Prémio de Arquitetura Paulo Gouveia 2020 e parabeniza o premiado desta edição, Arquiteto Paulo Vieitas, com a obra denominada “Reabilitação: Louvre Michaelense”, localizada em Ponta Delgada. Também felicita os autores da obra “Quinta dos Peixes Falantes”, na Ribeira Grande, da autoria dos Arquitetos Fernando Monteiro, Marco Resendes e Miguel Sousa, que mereceu uma menção honrosa.

Segundo os membros do Júri, a obra Louvre Michaelense, “situada no rés-do-chão de um edifício de gosto neoclássico, é uma loja ímpar no centro da cidade de Ponta Delgada, com assinalável valor patrimonial e cultural. O projeto de arquitetura de interiores revela grande sensibilidade perante o objeto arquitetónico, traduzido na identificação, levantamento, manutenção, recuperação e restauro das soluções construtivas, dos materiais e do mobiliário preexistente, assim como, na decoração e iluminação. A nível funcional cria áreas espaciais distintas com diferentes graus de privacidade/intimidade, apropriando-se do espaço que outrora era restrito aos funcionários da loja. Na introdução de novos elementos, tal como o balcão de atendimento ao público e os espaços de serviços e apoio, recorre a uma linguagem contemporânea, com desenho de pormenor rigoroso, a soluções construtivas reversíveis e materiais não dissonantes”. O júri também refere que “as premissas, princípios e valores, subjacentes e evidentes nesta intervenção são amplamente reconhecidas como essenciais em obras desta natureza”.

No que se refere à obra Quinta dos Peixes Falantes, o júri destaca que “a intervenção (…) demonstra de forma clara o valor do conjunto no contexto onde está inserido e respeita a memória da estrutura arquitetónica preexistente, com a manutenção do conjunto composto por casa e ermida. A ampliação assume uma linguagem arquitetónica contemporânea, devidamente integrada pela escala, proporções, materialidade e relações volumétricas e espaciais, assim como, pelo emprego de materiais endógenos (…)”, entre outros aspetos.

O Prémio de Arquitetura Paulo Gouveia visa premiar as obras de recuperação, reabilitação, reconstituição e reinterpretação na Região Autónoma dos Açores, cujo projeto mereça destaque por respeitar o património edificado, e privilegiar o uso de materiais endógenos, sem excluir o uso de linguagem contemporânea.
É dedicado ao arquiteto açoriano Paulo Gouveia, considerado o expoente do pós-modernismo nos Açores e que faleceu em 2009.

Com uma obra singular premiada e dispersa pelas ilhas, Paulo Gouveia foi o arquiteto responsável pelos projetos de diversos edifícios emblemáticos, alguns deles premiados a nível nacional, destinados tanto ao uso público como à habitação privada, em várias ilhas do arquipélago.

O júri, nesta edição, foi composto pelo arquiteto Ângelo Regojo dos Santos, em representação da Direção Regional da Cultura, arquiteto João Mendes Ribeiro, convidado pela Direção Regional da Cultura, Dr. Nuno Filipe Medeiros Martins, em representação da Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores, e Dr.ª Alexandra Bragança, em representação da Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas dos Açores (ou Associação de Empresas de Construção e Obras Públicas dos Açores), além do arquiteto Nuno Costa, em representação da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Arquitectos.

Nuno Costa considera que esta iniciativa é importante para o reconhecimento da Profissão e para a promoção da boa Arquitetura que se faz na Região Autónoma dos Açores. Esta também é uma forma de comunicar com a sociedade, de criar massa crítica e um novo olhar sobre o que nos rodeia. Nós, cidadãos, inevitavelmente vivemos rodeados de “arquitetura”, um elemento essencial e qualificador dos espaços que habitamos e vivenciamos, sejam eles interiores ou exteriores.

Acrescenta ainda que, sendo um prémio que procura promover a Reabilitação Urbana, tão necessária nos dias de hoje, ainda para mais quando há uma série de instrumentos e diretrizes de âmbito nacional que apontam para esta necessidade, nomeadamente o 1.º Direito - Programa de Apoio ao Acesso à Habitação, coordenado pelo IRHU – Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana em estreita colaboração com os municípios. Em traços gerais, o Programa é dirigido essencialmente à reabilitação do edificado e ao arrendamento, procurando promover a inclusão social e territorial, mediante a cooperação entre políticas e organismos setoriais, entre as administrações central, regional e local e entre os setores público, privado e cooperativo. Neste âmbito os Municípios deverão elaborar o seu plano Estratégia Local de Habitação, com vista a apoiar a promoção de soluções habitacionais para pessoas carenciadas que vivem em condições habitacionais indignas.

Neste sentido, o Prémio de Arquitetura Paulo Gouveia é também uma forma de sensibilizar a sociedade, no geral, para um olhar atento sobre as políticas de reabilitação urbana e do ordenamento das cidades Açorianas.

Nuno Costa
Presidente do Conselho Directivo Regional Açores

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